Entrevista ao site Arte-Factos

Arte-Factos

“A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. Dedicada à divulgação das artes da música, cinema e séries, fazemo-lo através de notícias, críticas, entrevistas, reportagens e outras iniciativas.”

 

1 – Como é que começou o vosso projecto?
Reza a lenda que foi decidido algures na linha amarela do metro de Lisboa, por duas pessoas extremamente bonitas, há cerca de seis anos atrás. Quando, acho que nunca ninguém soube ao certo, pelo que tomamos como ponto de partida a data do primeiro post, ainda no velhinho Blogspot: 29 de Abril de 2010.

Não estando presente nesse momento, mas fazendo parte do grupo original, o que posso dizer é que acho que o projecto surgiu da necessidade que havia em divulgar a cultura nacional, e não só. Nessa altura já existiam uma meia dúzia de referências, depois o meio cresceu e de repente havia um boom de webzines, blogs, sites, o que lhes quiserem chamar, que no fundo, praticamente todos eles, ao seu jeito, tentavam fazer algo que as grandes publicações não faziam na altura, dar atenção a projectos mais underground.

De uma forma mais geral, e não olhando apenas para a Arte-Factos, é giro perceber que muitas dessas pessoas, estando ainda ou não nessas zines, estão agora de algum modo ligadas a um meio maior, seja na rádio, na televisão, nas publicações escritas ou até mesmo no online, e que o panorama se tenha vindo a inverter aos poucos.

2 – E o nome?
Mais uma vez, não tenho grande recordação do processo, julgo que foi decidido via conversas paralelas no Facebook e que foi sugestão da Filipa Marinho, na altura vocalista dos Iconoclasts e agora Marketing Manager na Tradiio. Fica o fun fact de nunca ter chegado a colaborar efectivamente com artigos na Arte-Factos, mas de lhe ter deixado esta marca importante.

3 – Quais as maiores dificuldades que encontraram?
Internamente, a falta de tempo e os picos de motivação/inspiração que existem naturalmente por diversos motivos.

Mas acho que a grande questão e a maior dificuldade que existe neste meio onde não existe investimento será sempre como chegar a um maior número de pessoas. Se por um lado há sempre público, por outro a oferta cada vez maior de conteúdo, junto com forma e a velocidade com que a informação é consumida forma um cocktail imprevisível, onde um artigo de relevo pode falhar miseravelmente e outro que à partida achas que não terá tanto impacto ganha dimensões virais.

4 – Quais são as principais diferenças entre os objectivos do projecto ao inicio e actualmente?
No objectivo, nenhum. Talvez a forma como o projecto é visto seja mesmo a maior diferença, e é algo que se começou a notar desde início. Isso faz com que a responsabilidade aumente também, mesmo que inconscientemente. E se por um lado isso foi/é óptimo, por outro, parece que criaste um monstro que tem que ser obrigatoriamente alimentado todos os dias.

Às vezes tenho dúvidas que exista a percepção que a Arte-Factos é um projecto formado por pessoas que escrevem/fotografam apenas pelo prazer de o fazer, nas suas horas vagas, e que na prática não tem grandes amarras ou compromissos com o que quer que seja, excepto com aquilo a que nos comprometemos. Continuamos a ser as mesmas pessoas que querem ajudar a divulgar cultura e os projectos que gostamos e que sentimos que não têm o devido apoio, é esse o nosso foco.

5 – Qual foi a maior descoberta cultural e humana que fizeram com o projecto?
Vem aí o cliché, mas terão que ser sempre as pessoas. Desde o início do projecto que tivemos a sorte de nos cruzarmos com pessoas maravilhosas, que acreditaram no que estávamos a tentar realizar, que nos inspiram, e com quem mantemos ainda hoje uma relação de amizade.

Por exemplo, no campo pessoal, acho que um dos nossos maiores desafios foi a mensalidade de concertos que realizamos no Bacalhoeiro durante seis meses. Convidámos amigos, fizemos novos e, apesar de muitas vezes frustrante, no final da noite, ver as bandas e público satisfeitos, não há como colocar esses sentimentos em palavras.

6 – Para ti quais são as principais diferenças entre os novos meios de comunicação (blogues) e os que têm mais anos e notoriedade (jornais, revistas)?
Se estivermos a falar de profissionais vs amadores, acho que é um meio onde os novos são sempre olhados com alguma desconfiança. Falando no caso do online, que é onde nos mexemos, houve sempre muito aquela ideia do “mais um blog a querer borlas” e, admitindo que isso existe (cada um sabe de si), acho que não cabe aos meios julgarem-se uns aos outros. Aliás, nem é assim tão verdade.

7 – O que gostariam mesmo de fazer com o projecto, onde gostariam de chegar?
Provavelmente esta pergunta teria diferentes respostas conforme o elemento da equipa a quem perguntasses. Rebobinando um pouco a conversa, é aqui que o tempo disponível para o projecto entra em maior destaque. Todos temos as nossas vidas, os nossos trabalhos, os nossos estudos, portanto é complicado chegar mais longe sem comprometer o resto.

Um dos pontos que sabia que tínhamos que melhorar e que sentia que nos fazia imensa falta era a forma como entregávamos os nossos artigos, e penso que solucionámos isso recentemente com o nosso novo site, proporcionando uma melhor experiência de navegação e leitura ao utilizador.

De resto, temos orgulho na nossa talentosa equipa e nos artigos que publicamos, colaboramos com imensas pessoas de quem gostamos e que respeitamos imenso o que fazem, temos o privilégio de ter a confiança de várias entidades no nosso trabalho e, para mim, isso é suficiente. Obviamente que quero sempre que aquilo que fazemos chegue a um público cada vez mais alargado mas, pessoalmente, estou satisfeito com o que alcançámos e confortável com o ponto onde nos encontramos.

Entrevista por João Miguel Fernandes a Hugo Rodrigues.

Anúncios
Matéria Negra